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1ª conversa: Participação Cultural e Cidadania | 24 setembro

24.09.2026

quinta-feira, 18:00
PALCO - CCC
  • Entrada livre (sujeita à lotação)

CULTURA SITUADA

Ciclo de conversas sobre Programação e Cidadania Cultural

setembro – dezembro 2026 | quintas-feira | 18h00

Café-concerto CCC, Caldas da Rainha

Entrada livre


O que significa participar na vida cultural para além de ser um corpo presente? Que lugar ocupamos e queremos ocupar nas instituições culturais: públicos a conquistar, destinatários passivos, ou mãos plásticas das estruturas que decidem, criam e programam? Partimos para esta conversa com a necessidade de mudar métodos, relações e formas de organização. Se os jovens devem estar no centro das decisões, que condições são necessárias para que essa participação seja efetiva? Como criar espaços de diálogo contínuo, onde diferentes perspetivas possam questionar, introduzir novos processos, partilhar responsabilidades? E como garantir que a representação interseccional da juventude não se reduz a um performativo preenchimento de quotas, e antes se traduz em poder de decisão, criação, mediação e programação? A participação cultural implica, assim, repensar quem tem lugar à mesa, que lugares são estes, quem serve e quem é servido, quem define os significados de cultura e como se distribui o poder dentro e fora das instituições.


O que pode e deve uma instituição às comunidades que alcança? Como se define e pratica cidadania na contemporaneidade através de um lugar de empatia? O que entendemos e valorizamos como cultura? Como garantimos que todes têm lugar de participação? 


Esta conversa conta com a introdução de Sara Brighenti, moderação de Jade Aura, co-autora da Adenda dos Jovens à Carta de Porto Santo Caldas da Rainha/ Loulé; os convidados Tânia Martins, do colectivo Fá-Lo; Guilherme Rocha, dos Cineclube CR e Caldas Film Fest; e ainda o designer e programador cultural Luís Ferreira.


Que este seja um espaço de reflexão e debate. Um momento de refletir sobre legados e ponderar alternativas. Apelamos ao público que para além de presença traga também as suas questões para esta conversa, onde todas as subjetividades importam.


CULTURA SITUADA tem a curadoria de Jade Aura, Lígia Afonso e equipa de redatores da Adenda Jovem à Carta do Porto Santo Caldas da Rainha-Loulé, em colaboração com o CCC, a Cátedra UNESCO em Gestão das Artes e da Cultura, Cidades e Criatividade, o LiDA - Laboratório de Investigação em Design e Artes, o Mestrado em Gestão Cultural da Escola de Artes e Design de Caldas da Rainha – Universidade de Leiria e Oeste, e o Projeto Campus Cultural do Plano Nacional das Artes.

 

Sara Brighenti (Lisboa, 1974) é subcomissária do Plano Nacional das Artes. Colaborou com museus, centros culturais, teatros e organizações internacionais como a OEI e a UNESCO. Em 2023 coordenou o White Paper sobre cooperação entre Cultura e Educação no âmbito da elaboração do Quadro de Educação Cultural e Artística da UNESCO. Promoveu e é coautora da Carta de Porto Santo (2021) e da sua Agenda pelos Jovens (2025) sobre direitos culturais e cidadania. Foi diretora do Museu do Dinheiro do Banco de Portugal, coordenou a área de educação da Casa das Histórias Paula Rego e do Teatro Viriato. Foi assessora do Ministério da Educação e colaborou com o Alto Comissariado para as Migrações.


Guilherme Rocha (Amadora, 1999) é licenciado em Som e Imagem pela ESAD.CR (IP Leiria, agora ULO), instituição onde se encontra actualmente a terminar o mestrado em Artes do Som e Imagem, tendo como especial foco a prática do cinema amador. Co-fundador e diretor artístico do Cineclube das Caldas da Rainha (2022), projeto dedicado à partilha de cinema de autor e independente. O Caldas Film Fest (2024), mostra de cinema independente que se dedica a promover e divulgar a criação cinematográfica, dando visibilidade a novos talentos e obras inovadoras. Produz também trabalho enquanto realizador, assistente de realização e fotógrafo.


Tânia Martins (1993, Porto) é designer e artista visual, vive e trabalha nas Caldas da Rainha. Licenciou-se em Design Industrial pela ESAD.CR (2014) e é mestre em Design de Produto (2019). Desde 2020 é cofundadora e designer da FÁ-LO, espaço cultural caldense. Doutoranda em Criação Artística na Universidade de Aveiro, com bolsa FCT em parceria com o Museu José Malhoa e o LiDA, investiga práticas colaborativas no espaço público, cruzando design, urbanismo e artes performativas.


Luís Sousa Ferreira (Cem Soldos) é adjunto da Direção Artística do Teatro Nacional D. Maria II, e também docente na ESAD.CR – Escola Superior de Artes e Design das Caldas da Rainha da Universidade de Leiria e Oeste. Em 2022, criou a Riscado, dedicada à consultoria, programação e criação de projetos culturais. Fundou e dirigiu o 23 Milhas, o BONS SONS, o Aldear e o Caminho do Médio Tejo, tendo também colaborado com a candidatura Braga’27 e trabalhado na experimentadesign e no CENTA. Diplomado em Design Industrial pela ESAD.CR, desenvolve trabalho nas áreas da criação, participação cultural e coesão territorial.

 

Jade Aura (2002, Amadora) é artista transdisciplinar, mediadora, produtora cultural e curadora. A sua prática artística cruza audiovisual, pintura, performance, moda, escultura e tatuagem. Através da dissolução dos padrões de género, coloca a corporalidade como rutura, suscitando reflexão sobre as restrições da binariedade. Desenvolve trabalho nas áreas da mediação e dos direitos culturais. Foi coautora da Adenda dos Jovens à Carta de Porto Santo -  Caldas da Rainha/Loulé, com foco nas políticas de inclusão e no questionamento das hierarquias culturais. Foi também relatora da MONDIACULT 2025, sendo uma das representantes jovens de Portugal e coautora do Mondiayouth Perspectives Document.

 

1. Participação cultural e cidadania     

Reconhecendo os pontos 2, 4, 5, 7, 8, 14, 19, 26, 2, 35 e 37 das recomendações da Carta do Porto Santo: As instituições culturais devem eliminar barreiras e investir num futuro que integre plenamente  os jovens, valorizando a sua diversidade, posicionando-os no centro das decisões, ao promover uma representação autêntica e transformar o envolvimento num diálogo contínuo que acolha o desenvolvimento coletivo. Assim, os jovens podem comprometer-se com os direitos culturais, fortalecer a sua capacidade de ação e intensificar o seu ativismo em prol da cidadania cultural.

     

1.1 Mudar os métodos: Os métodos tradicionais podem não ser eficazes para cativar os jovens nas instituições culturais. Por isso, as instituições culturais devem implementar ativamente novas formas de envolvimento, colaboração e diálogo com estes públicos, que, por sua vez, devem ser encarados não apenas como visitantes ocasionais, mas como parte essencial da instituição. As suas contribuições podem desafiar as normas, envolvendo processos divergentes e a aceitação de riscos como elementos de um processo de aprendizagem coletiva.

   

1.2 Um lugar à mesa: Incluir os jovens em posições de decisão, nomeadamente como criadores de atividades e conteúdos culturais, assegura o compromisso e o impacto duradouro no exercício dos seus direitos culturais. É essencial que a participação represente, de forma justa, as comunidades jovens e seja acessível a indivíduos de diversas origens socioeconómicas e culturais.

    

1.3 Fora do radar: Há um desfasamento entre aquilo que os jovens consideram cultura e o que é tradicionalmente reconhecido como tal. Por isso, as instituições devem estar abertas a assumir riscos ao financiar e programar, valorizando formatos artísticos ou expressões culturais que ocorrem fora do radar, como novas manifestações, ainda que não se encaixem nos modelos tradicionais ou institucionais. O novo está a emergir e constitui um aspeto significativo da vida cultural para muitos jovens.

     

1.4 Os mediadores culturais como pontes: Os mediadores culturais têm o potencial de transformar relações e práticas. Os jovens mediadores culturais podem tornar os conteúdos e práticas culturais mais acessíveis, adaptando-os para que sejam cativantes, participativos e relevantes. Fazendo a ponte entre as organizações, as manifestações culturais e os públicos promovem a inclusão e fortalecem vínculos, assegurando que todos se sintam representados e integrados. As instituições devem criar oportunidades de trabalho para jovens mediadores culturais.

     

1.5 Financiamento e gestão sustentáveis: É preciso garantir que o financiamento destinado ao apoio aos jovens esteja integrado nos planos estratégicos de longo prazo das instituições. Além disso, é fundamental incrementar o financiamento global para projetos artísticos e culturais e promover uma maior responsabilização e transparência nos processos de atribuição, administração e gestão desses recursos.